24.8.11

DA INOCÊNCIA DOS VERÕES FELIZES.

                                                        Weegee, Coney Island 1940.

A série de workshops de fotografia que estou a co-organizar com os meus queridos Clara Azevedo e Paulo Vaz Henriques, tem a vantagem acrescida de servir de motivo para revisitar algumas imagens essenciais, às quais que nem sempre tenho voltado com a frequência recomendável.

Assim, coube-me a propósito de um elogio do uso do flash, apresentar à paciente plateia um pouco da vida e obra de Arthur Fellig "Weegee". 

Nome incontornável da história do métier,  as incidências da sua carreira estão abundantemente documentadas em todo o escrito sobre a coisa, online e offline. Ao leitor curioso, basta a pesquisa da ordem.

Para aqui basta apenas dizer que o principal do corpo de trabalho pelo qual se celebrizou, foi a documentação da cena policial, do crime e do "bas-fond" nova-iorquino, sobretudo nas décadas de 30 e 40 do século passado. Actor e testemunha em ambientes soturnos e carregados de um preto e branco de "film noir", Weegee poderia ser fácilmente apelidado de um fotógrafo da(s) sombra(s).

Mas, uma das suas imagens mais famosas, é este tão célebre quanto fantástico instântaneo obtido na praia de Coney Island em 1940.
Não sei bem bem qual foi a preparação da foto, que será uma estória dentro da história, mas para a posteridade ficou o registo de uma multidão gigante, que olha para a objectiva num mar de alegria e entusiasmo.

Será muito dificil nos tempos de desconfiança urbana em que vivemos e viveremos, voltar a congregar tantos olhares que olhem em simultâneo para um fotógrafo com tão inocente motivação.

Uma espécie de paraíso perdido, onde um fotógrafo das sombras teve o seu momento mais luminoso.


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