3.10.09

ANJO OU DEMÓNIO: A FOTO QUE EU GOSTAVA (MESMO) DE TER FEITO.




                                                                                                    Ralph Gibson, in "The Somnambulist"



Muito resumidamente,  o  norte-americano Ralph Gibson (Los Angeles, 1939), é uma espécie de pássaro raro no panorama fotográfico,  um daqueles tipos que ao longo de uma carreira melhor conseguiu firmar o que se convenciona chamar de uma singular “assinatura” visual.
Filho de um assistente de realização de Hitchcock, as suas visitas juvenis aos estúdios  da Warner Brothers gravaram-lhe na retina a luz com que o mestre “dourava” os seus clássicos a preto e branco.
Nos anos 60 trabalha como assistente de Dorothea Lange e Robert Frank, o que só por si seria para muitos outros currículo bastante.
Discreto, não faz parte dos nomes mais reconhecíveis pelo grande público, mas é Comendador da Ordem das Artes e Letras de França, e os seus clientes comerciais são os nomes mais topo possível da indústria da moda e do luxo.
Acerca do seu trabalho pessoal, largamente celebrado, diz coisas tão limpidas como, “I really believe that the problem for me is for me to perceive something clearly, and it doesn’t matter where I am. I’ve been in Japan, I’ve been all over the world and I come back with the same photographs. It appears that wherever I go I tend to bring my vision with me.”

De todas as fotos que vi até hoje, a que sempre mais me assombrou, aquela que eu de facto gostaria de ter imaginado, é esta imagem da sua fabulosa série “The Somnambulist”,  que já nos anos 70 lhe granjeou uma audiência.


Não sei se é de anjo ou demónio a mão que entreabre aquela porta, que a vezes me atrai ou faz fugir.
Mas um dia vou saber.

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