26.9.09

NO QUARTO DO FILHO OU HOMENAGEM À MÃE DE UM MORTO.


                        















No quarto do Diogo.  © paulo alexandrino 2004



Um fotógrafo profissional é um profissional da fotografia. Serve a redundância imbecil  para estabelecer o paralelismo com outras classes profissionais ( vide enfermeiros e demais pessoal médico) para as quais  o não cruzamento entre a vida profissional e pessoal é condição primeira para o equilibrio mental no quotidiano.
A minha natureza sempre me defendeu, para o bem e para o mal, de ser demasiado afectado por variados assuntos em que me vi envolvido enquanto  espectador/testemunha durante uma considerável experiência de repórter-fotográfico.


No entanto, aqui há uns poucos anos rumei a Famalicão a pedido do Rui Xavier, então editor da Grande Reportagem, para ilustrar uma peça da sempre incómoda Felícia Cabrita acerca de um míudo que tinha morrido na sequência das divertidas e tradicionais praxes académicas, que nesta precisa altura campeiam pelo país inteiro.
E uma tarde com aquela mãe que, indiferente á minha presença, chorava em silêncio ao folhear o álbum de fotos de familia, e que me deixou só no quarto do filho morto mas nunca enterrado, ficou até hoje às voltas na minha memória.
Lembro-me de me ter despedido dela com votos de que "algum dia possa encontrar a Paz".


Não acredito que a tenha encontrado agora, quando os tribunais, pelas instâncias cíveis lhe dão sinal de que a Justiça havia falhado nas instâncias criminais.


Mas pelo menos na sua tenaz luta, talvez tenha contribuído para que uma futura geração de caloiros possa estar mais abrigada da brutal e soez estúlticia com que a Academia aparenta gostar de dourar a sua glória.

Bem haja.

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